sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Entre o DESEJO, a ANSIEDADE e a REALIDADE...

Muitos casais, ao decidirem pela chegada de um bebê, sentem de pronto as transformações que essa decisão gera, seja na dinâmica familiar ou na vida. Inicialmente quando há um grande desejo pelo primeiro bebê, começam todas as pesquisas, os sonhos, as expectativas. Há no imaginário a crença de que a partir do momento em que se decide, basta apenas manter relações sexuais ou "treinos" com frequência que o sonho se realizará quase que imediatamente. Contudo muitos casais deparam com uma realidade totalmente nova. As mulheres geralmente ficam mais atentas aos sinais de seu corpo ovulação, fertilização, temperatura. Os homens por sua vez, trazem a tona a capacidade de gerar um bebê. Tanto para o homem como para a mulher é uma fase de muitas ansiedades e inseguranças que giram em torno da capacidade de construir uma familia, de corresponder às expectativas da familia e da sociedade de forma geral. Esse é um momento perigoso para o casal, pois podem mecanizar as relações, e o cotidiano de marido e mulher passa a ter prioridade a concepção. E a cada resultado negativo, sentimentos de incapacidade, de impotência e de não-controle passam a tomar conta de ambos, gerando um difícil ciclo vicioso de desejo e frustração que acaba por dificultar o processo natural. O corpo produz reações reativas à vida subjetiva, aos sentimentos e "encucacações" que produzimos. A espera e o desejo impostos no resultado satisfatório de uma gravidez, muitas vezes transpõem e encobrem grande responsabilidade que está implícita em trazer uma criança ao mundo, a necessidade de reorganização da vida afetiva do casal, financeira, do próprio espaço físico da casa, das demandas que são geradas elas físicas ou emocionais. Portanto, durante o período de planejamento de todos esses fatores devem ser considerados e cuidados para não haver um desgaste tamanho causado pelo desejo "cego" que coloque a chegada de um bebê num lugar romanceado, que posteriormente pode não condizer com a realidade idealizada. A ansiedade, especialmente, gera muitas armadilhas para o casal que planeja um bebê, pois produz muitas vezes sintomas inexistentes, criar problemas onde não há e pode de fato trazer complicações para uma concepção. Tanto o homem como a mulher sentirão a pressão que está disposta neste momento e precisarão de apoio um do outro para seguir esta jornada. Buscar não mecanizar o ato sexual, fazer deste mais um momento de comunhão entre os dois, pois gerar uma vida está para além da obtenção de um resultado positivo, este é só o inicio. Trazer uma criança ao mundo é uma grande responsabilidade e deve ser um ato de amor. Manter a calma, ter um excelente respaldo médico e familiar contribuem para uma passagem tranqüila por esta fase, que é o primeiro de muitos desafios que se seguem após a gravidez, o inicio da maternidade/paternidade e ao longo da educação de uma criança. A ansiedade pode ser uma inimiga nesse momento e trazer desafios ainda maiores, portanto um bom planejamento e a certeza de uma longa e prazerosa jornada pela frente deve permear esse momento.

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